Ex-Alunos

Victoria Ariante

Victoria Ariante

“Minha mãe diz que eu ‘olho pra frente, mas amo o que ficou pra trás’. Me sinto assim mesmo. Nossas experiências nos constituem e as experiências no Jean Piaget são parte de mim e do que faço hoje. Acho...
Victoria Ariante
Victoria Ariante

“Minha mãe diz que eu ‘olho pra frente, mas amo o que ficou pra trás’. Me sinto assim mesmo. Nossas experiências nos constituem e as experiências no Jean Piaget são parte de mim e do que faço hoje. Acho saudável poder vivenciar isso e ver também a própria evolução da escola, não somente em termos gerais, mas sobretudo com relação às Artes e ao Teatro”.

Em praticamente todas as edições do Festival de Teatro do Jean Piaget, uma presença é carimbada e considerada referência para professores e alunos: Victoria Ariante. 

Formada no Ensino Médio do Jean Piaget em 2009, a ex-aluna cursou Artes Cênicas na Escola Superior de Artes Célia Helena e atualmente trabalha como atriz, bailarina, diretora e é professora na 4Act Performing Arts.

 

Lembranças

Victoria acredita que grande parte da sua formação como indivíduo consiste na fase escolar. Do Jean Piaget, guarda boas recordações.

Ao longo de sua trajetória no Colégio, ela participou de vários cursos de Aprofundamento, porém, se encontrou no Teatro e no Futebol, chegando até a representar a escola em alguns campeonatos.

A aluna, que nunca cogitou seguir outra carreira profissional, recorda com afeto de uma passagem durante a aula de física com o professor João Bosco:

“Lembro que, certa vez, ele nos perguntou quais eram nossas opções de curso. Achei lindo que, quando eu falei Artes Cênicas, ele comentou sobre a filha dele, que era artista, e me incentivou. Naquele momento, pensei: caramba, um professor de física me incentivando a fazer teatro! Só mais tarde fui entender o poder da cultura para a sociedade num contexto geral, não segregada nem destinada a um público específico – o que também acabou resvalando no meu trabalho e no meu modo de fazer e pensar a arte” lembrou.

 

Referência nas Artes e no Teatro

“Minha mãe diz que eu ‘olho pra frente, mas amo o que ficou pra trás’. Me sinto assim mesmo. Nossas experiências nos constituem e as experiências no Jean Piaget são parte de mim e do que faço hoje. Acho saudável poder vivenciar isso e ver também a própria evolução da escola, não somente em termos gerais, mas sobretudo com relação às Artes e ao Teatro”, contou Victoria. 

Presente em praticamente todos os eventos artísticos do Colégio, ela conta que sempre volta por se sentir honrada com o papel que ela representa para os alunos.

“A Angélica (professora de Teatro) é uma guerreira que coloca amor e firmeza no que faz. O Alexandre dá suporte para isso e mantém um incentivo fundamental para as ideias chegarem ao palco. E toda a equipe, é claro, que faz com que aconteça há tantos anos. Acho que o fazer teatral é isso: pessoas apaixonadas pelo que fazem, querendo dizer assuntos com amor e firmeza a outras pessoas, atravessando o tempo. Como não manter contato com isto?”.

 

Graduação e carreira

“Cursei Artes Cênicas na Escola Superior de Artes Célia Helena, uma faculdade exclusivamente voltada para as artes cênicas. Concluí em 2012 minha graduação. 

Nesse mesmo ano, ela fez um teste para um espetáculo com direção do Oswaldo Montenegro e passou. Se chamava “Filhos do Brasil” e ficou em cartaz por um mês. “Lembro que comemorei 18 anos no teatro, entre um ensaio e outro!”. 

No ano seguinte, Victoria começou um estágio no SESC Vila Mariana e passei os dois anos seguintes da sua graduação lá. “Foi um dos melhores e maiores aprendizados da minha vida: meu primeiro emprego, muito acesso a todas as linguagens artísticas e muito contato com pessoas que já estavam atuando no mercado, sem contar a possibilidade de assistir ensaios e espetáculos de companhias renomadas”. 

Assim que se formou, iniciou os estudos na área de teatro musical. “Me matriculei em um curso técnico em uma escola chamada 4Act Performing Arts, que é a primeira com curso profissionalizante em teatro musical na América Latina. Assim que terminei, fui convidada para lecionar na escola – e permaneço até hoje. Como professora, também pude guiar um grupo de alunos em Nova Iorque, em um curso imersivo em teatro musical no Pearl Studios”. 

Victoria também foi indicada por amigos para um trabalho chamado “Cargas D’Água – Um Musical de Bolso”, de um dramaturgo mineiro que estava no início de sua carreira. “Nossas afinidades artísticas falaram mais alto e, durante o processo, assumi outras funções e ganhei espaço. Em sua peça seguinte, fui convidada para dirigir”. 

A referida peça dirigida pela ex-aluna, “Se Essa Lua Fosse Minha”, já está em sua terceira temporada, ganhando um teatro maior e mais espaço na mídia e em premiações. “Nesse meio tempo, o “Cargas D’Água” ganhou uma versão em Londres. E fui para lá dirigir”. 

 

Somos seres movidos por desejos

“Digo aos meus alunos que somos seres movidos por desejos. É isto que nos mantém dispostos diariamente. E eu tenho muitos desejos!” 

Para o futuro, assim que o teatro puder voltar, Victoria quer que o espetáculo musical “Se essa lua fosse minha” esteja em cartaz novamente, pois sua terceira temporada foi interrompida durante a pandemia. 

“Também pretendo seguir com minha pesquisa acerca das mulheres do teatro, voltando também com a exibição do experimento audiovisual “BRASA – Inacabado Manifesto”. 

Não menos importante, a atriz e diretora tem um espetáculo  infanto-juvenil em pré-produção chamado “A Máquina Maluca”, baseado na obra homônima de Ruth Rocha que já está autorizado como adaptação oficial pela mesma. 

“No fim das contas, por sorte ou destino – ou escolha – acabei fazendo projetos profissionais que coincidiram com o que queria dizer. E isto é algo que almejo: poder continuar concretizando espetáculos que sonho e que dialogam com minha integridade enquanto artista. Mas desejo também que toda expressão artística possa ser mais valorizada em nosso país e vista como formação responsável para o indivíduo”, finalizou Victoria, orgulhosa de sua trajetória.