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» 09 de maio de 2018

Colégio promove palestra sobre suicídio com psicólogo Sérgio Jabur

Encontro tem como objetivo alertar, desconstruir preconceitos e quebrar o tabu sobre o tema.

Como parte das ações de orientação do Colégio, as famílias do Ensino Médio receberam o psicólogo Sérgio Jabur para uma palestra com o tema "Pais atentos, filhos protegidos: adolescência e seus problemas".

"Nosso propósito é alertar e desconstruir preconceitos sobre o suicídio", afirma a diretora da unidade, Sigelda Mendes. Durante o encontro, o psicólogo explicou como o suicídio é visto pela psiquiatria, como a sociedade lida com ele e como os fatores socioculturais aparecem nesse contexto. Ele defendeu, ainda, a importância de um canal de diálogo aberto entre pais e filhos.

Essa é a segunda vez que o psicólogo vem ao Colégio. No ano passado, Jabur esteve no Jean Piaget para conversar com os alunos. O palestrante trouxe dados concretos e propos reflexões importantes para as turmas do Ensino Médio.

"Estamos certos de que manter temas como esse em pauta e estar sempre dispostos a ouvir, em casa e na escola, é fundamental para trabalhar frustrações, amaredurecimento e tantas outras questões da adolescência e da vida adulta", garante a psicologa da unidade de Ensino Médio, Débora Veloso.

"Vivemos o mito sobre o qual muitos acreditam que ao abordar o assunto incentivamos as pessoas à morte; isto é um tabu, não existe esta ligação; o que existe é justamente o oposto, falando sobre o assunto é que diminuiremos os casos de suicídio", afirmou o palestrante.

Leia a entrevista na integra

- Como a psiquiatria enxerga o suicídio?

Sérgio Jabur - A psiquiatria costuma ver o suicídio relacionado aos transtornos psiquiátricos. Uma doença é, para a psiquiatria, o que eles chamam de fator determinante para as manifestações do suicídio. Assim, o suicídio passa a ser um sintoma clínico. Os fatores socioculturais e até mesmo econômicos são, no discurso médico, fatores de risco para o suicídio. Por exemplo, se uma pessoa perde o emprego e tenta se matar é vista como alguém que não teve diagnóstico psiquiátrico prévio e, aliado ao fator de risco - desemprego, teve este impulso.

- Como os fatores socioculturais colaboram para que isso aconteça?

SJ - A partir da minha perspectiva clínica e das pesquisas que acompanho, proponho uma inversão nesta equação médica. Os fatores sociais, culturais e econômicos podem ser determinantes para o suicídio, independentemente de a pessoa ter um transtorno psiquiátrico, na verdade, ela não precisa estar doente para pensar na morte. Pensando desta maneira, o suicídio é um fenômeno social. E assim, uma forma de se comunicar.
Vivemos cada vez mais em um movimento que busca o sucesso. Os adolescentes, principalmente desta geração Z, não estão acostumados a esperar, já que a tecnologia está à disposição deles a todo instante; além disto, não sabem esperar, sempre querem tudo na hora, a frustração é intolerável. Sabemos que nossas emoções e a maturidade são também frutos das frustrações que vivemos e dos novos significados que damos às nossas perdas. Tirar esta possibilidade do adolescente é preocupante.

- Qual a importância de discutir esse tema?

SJ - O debate com a sociedade sobre o suicídio é fundamental. Somente com informações aliadas à quebra dos tabus que envolvem o tema serão capazes promover políticas de prevenção ao suicídio. As pessoas que pensam em se matar vivem no silêncio, colocam o assunto fora do debate por medo, vergonha, sensação de não aceitação dos outros; fogem das críticas e do julgamento. Vivemos o mito sobre o qual muitos acreditam que ao abordar o assunto incentivamos as pessoas à morte; isto é um tabu, não existe esta ligação; o que existe é justamente o oposto, falando sobre o assunto é que diminuiremos os casos de suicídio.

- O que os pais devem observar em seus filhos?

SJ - Os pais devem observar qualquer tipo de mudança ao seu filho. Um isolamento, agressividade, apatia diante de coisas das quais o filho sempre gostou, revolta diante de coisas que dão errado; além das frases como "nada dá certo na minha vida", "seria melhor morrer", "não vou dar conta de tudo isso".
Não devemos encarar essas frases ou reações como coisas típicas da adolescência ou coisas para chamar atenção. É necessário manter o diálogo aberto. Os pais precisam conhecer seus filhos. Os filhos precisam saber que os pais estão ao seu lado.

- Como procurar ajuda?

SJ - Procurar ajuda é um ato de coragem. Muitas pessoas se sentem fracassadas ao chegar no consultório psicológico por não terem dado conta da própria vida. Costumo dizer o contrário, é sim uma coragem saber que temos limites e não precisamos dar conta de todos os nossos problemas sozinhos.


Sérgio Jabur é psicólogo clínico, mestre em Ciências da Saúde e doutorando pela UNIFESP.

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